A bomba atômica no Brasil

Atualizado: 5 de ago.

O Brasil tem uma longa e misteriosa história envolvendo a produção de energia nuclear, mesmo no que tange às tecnologias mais controversas, como a bomba atômica. No entanto, nos últimos anos, vem negligenciando este que é um dos meios de produção energética mais viáveis e eficientes da atualidade, devido ao seu passado obscuro em relação às tecnologias.

Enquanto não é possível se ter a universalização da energia solar em cada telhado brasileiro e se difundem ideais contrários, porém verídicos, às hidrelétricas, que destroem o meio ambiente muito mais profundamente que as outras formas de produção de energia "limpa", a energia nuclear se apresenta como uma das soluções à médio prazo para a crise energética que afeta o mundo.

O Brasil tem uma longa e misteriosa história envolvendo a produção de energia nuclear, o que inclui pesquisas secretas com urânio, o desenvolvimento de armas nucleares e até mesmo a nossa própria bomba atômica. Em meados da década de 50, o Brasil já era capaz de produzir urânio metálico e não escondia de ninguém seu desejo em investir nessa área. Assim, após tentativas frustradas de negociações com a França, o Brasil assinou um acordo com a norte-americana Westinghouse Company, em 1965, para a compra de seu primeiro reator.

Na dolorosa década de 70, o governo militar estava agitado, devido aos testes nucleares realizados pela Índia, além do forte receio de que a Argentina também desenvolvesse algo parecido. O General-presidente Ernesto Geisel, concernido a respeito do avanço das novas tecnologias nestes e em outros países, em 10 de junho de 1974, manifestou sua apreensão perante o alto comando das Forças Armadas. É então criada uma rede de espionagem, encarregada de recolher toda e qualquer informação sobre qualquer investimento no setor nuclear, não só dos países vizinhos, mas em toda a América Latina.

Dois anos depois, em 1976, ainda no governo de Geisel, é assinado um acordo com a Alemanha para a construção de 10 reatores nucleares. Essa informação agitou os gabinetes de Washington e deixou os americanos tão preocupados quanto o presidente brasileiro estava com os demais países. Isso porque, apenas em teoria, o Programa Nuclear Brasileiro, em parceria com a Alemanha, objetivava pesquisa de caráter pacífico, o que não era de todo verdade.

Documentos secretos do governo, revelados na história recente, demonstram que as entrelinhas do programa previam o desenvolvimento de uma tecnologia para a utilização da explosão nuclear, o que permitiria caminhar em direção à construção de bombas atômicas brasileiras.

Ainda nessa época, se consolidou no Brasil uma aliança 'secreta' com o Iraque de Saddam Hussein, que patrocinou a construção de um poço de 320 metros de profundidade na Serra do Cachimbo, no Estado do Pará, para testes com urânio. Ali se desenvolveriam testes do programa nuclear Iraquiano que, obrigatoriamente, repassaria ao Brasil todos os dados obtidos. Juntamente com o poço, uma série de operações clandestinas, objetivando a construção de bombas e mísseis nucleares, foram desenvolvidas no governo de Geisel.

Sabe-se que a parceria com o Iraque permaneceu sólida, mesmo após o fim do Regime Militar, pois entre 1979 e 1990 o Brasil exportou toneladas de urânio para Saddam Hussein. O plano "secreto" brasileiro passou a sofrer enorme pressão norte-americana, cada vez mais desconfiados e cientes das segundas intenções do governo brasileiro.

Oficialmente, em 1985, entra em operação a primeira usina nuclear do Brasil, Angra I, que operava com o reator adquirido da Westinghouse. Por outro lado, apenas em 2001, mais de 15 anos após, que foi inaugurada a segunda usina. Angra III está prevista para retomar suas operações de construção ainda em 2020. As usinas, localizadas na cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, são a parte visível do Programa para produção nuclear no Brasil.

"Vale lembrar que mais de 60% da Usina de Angra 3 foi construída, o que custou quase R$ 10 bilhões, sendo que, para concluir a obra, ainda faltam R$ 15 bilhões em investimentos. A previsão da retomada das obras para 2020 foi reforçada pelo presidente da Abdan, Celso Cunha. Segundo ele, este ano, para o setor, foi de “desatar nós”. “O setor de geração termonuclear começa a apresentar uma solução para a conclusão do impedimento de Angra 3”"

Neste meio período, a Constituição de 1988 proibiu a difusão de tecnologia para fins que não fossem pacíficos, e dez anos depois, em 1998, o Brasil aderiu ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, sepultando definitivamente os planos da 'Bomba Atômica Brasileira'.

Em 1990, o presidente Fernando Collor de Melo jogou uma simbólica - mas literal - 'pá de cal' no misterioso poço da Serra do Cachimbo. Poucos sabiam o real alcance daquele gesto e o quanto o Brasil esteve próximo de ser mais uma peça no quebra-cabeça nuclear mundial.

Segue, entretanto, os esforços dos atuais governos do Brasil (de Temer à Bolsonaro) em criar dois submarinos atômicos, que devem ser lançados ao mar até o ano de 2023.

Assim, ressalvados os entraves históricos entre o Brasil e a tecnologia nuclear, é importante compreender o quão fundamental ela é para a estruturação de um país. A capacidade energética de uma usina nuclear é infinitamente maior que as outras fontes atualmente conhecidas, o uso de área para produção é menor, se comparada com a hidrelétrica, por exemplo, e é, sobretudo, um dos meios mais seguros de produção atualmente.

Uma grama de urânio equivale a cerca de 18 livros de gasolina, sendo que um quilo produz mais energia que 100 toneladas de carvão. O mundo é amplamente dependente de dois grandes recursos: gás natural e petróleo, responsáveis pela maior parte da degradação ambiental e poluição no planeta. A premissa não é verdadeira para a energia nuclear, que emite quantidades baixíssimas de gases do efeito estufa.

Além disso, para fins militares ou civis, essa tecnologia é fundamental neste momento da história, justamente por sua eficiência energética. Meio a tensões políticas e disputas de poder, a dependência de carvão, gás natural ou mesmo de recursos voláteis, como usina hidrelétricas, é importante se compreender o custo benefício dos investimentos em energias nucleares.

Hoje, trens, navios e até submarinos podem se mover com mais eficiência e economia, com menor índices de poluição que os movidos à combustíveis derivados de petróleo, quando submetidos ao sistema de energia nuclear. De certo, relevante consignar que, diferentemente do imaginário popular, é absolutamente improvável que uma usina nuclear sofra algum tipo de catástrofe, principalmente considerando que o Brasil é praticamente isento dos afetos naturais ao redor do mundo (furações e terremotos).

Para fins elucidativos, para aplicações militares, o urânio que se presta a fissão nuclear possui uma concentração de matéria físsil de 85%, enquanto para produção de energia, os valores variam de 3 a 5%. Mesmo não sendo isenta de riscos, a baixa probabilidade de desastres naturais a torna uma das principais fontes de energia futuras para usos civis.

E enquanto os reatores de fusão nuclear não se aprontam, é dever de todos preservar a natureza com a energia mais eficiente de todas, o conhecimento.

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